16/06/2017

The End

Depois de passar por situações nada legais naquele dia, corri para a minha casa, peguei as chaves, destranquei a porta, e adentrei aquele lugar que no momento se encontrava vazio, e escuro. Meu coração incitava em cair em choros, mas eu dizia ser forte o suficiente para não ter que sentir aqueles sentimentos, quais doía, doía pra caralho, e que eu odiava sentir. Eu estava cansada de sentí-los. Era sempre os mesmos sentimentos, pelas pessoas de sempre, e o pior, alguma delas era de meu convívio noite e dia, e eu os amava tanto. Então preferia fingir que tava tudo bem para mim mesma. Mas não estava Nada Bem, mesmo. Meu corpo antes frio, estava quente. Simplesmente cair naquele sofá, da sala, afofado, e dormir.
[...]
Duas horas depois, quando a noite chegou, levantei-me do sofá, e fui para aquele quarto pequeno e escuro, que era o meu, e me debruçei sobre aquela minha cama, que foi ficando cada vez mais quente, pelo meu  estado febril. Comecei a me lembrar daquele dia, e de outros também. Lembrava-me das gritarias que já me submeteram, das exclusões e o quanto isso me afetara  tanto, lembrei-me dos mal-palavriados, que faziam os meus ouvidos quase a jorrarem sangue. Lembrei dos amigos, que não eram amigos, lembrei, dos xingos, lembrei das humilhações, e me lembrei também das indiretas, que eram mais pra retas, pra mim. Lembrei dos momentos de solidão, peguei-me pensando no futuro incerto, e minha cabeça se formou uma onda de pensamentos, ruins. Lágrimas, em meu rosto, começou a derramar, e com ela alguns soluços se expandiam também. Meu coração começou a arfar, até entrar em seu estado de colapso. Olhei aquele quarto escuro em volta pela última vez, até meus olhos se fecharem por vontade própria e aquele corpo meu, se tornar finalmente morto. Definitivamente. Sem pesadelos, internos, ou externos. Simplesmente, um nada mais.